Colocando as caixas no lugar

Por Themys Cabral

Aeeee, galera SEM CEP! Saudades de vocês!!! Sei que nós andamos meio sumidos por aqui. Mas, para falar a verdade, foi algo necessário para nós. Vou contar um pouco do que rolou com a gente nos últimos tempos.

Agora, faz pouco mais de 6 meses que voltamos da nossa volta ao mundo de um ano. E quer saber a verdade? Esse retorno para casa não é nem um pouco fácil, viu?  Pelo menos não foi para nós.

Temos vivido uma mistura bem conflitante de sentimentos, salpicada com muita saudade da estrada, de cada descoberta que tivemos, momento que vivemos, cheiros que sentimos, pessoas que conhecemos, comidas que provamos, cenários que estivemos…

Então, nesta volta para casa, nós tivemos também que nos voltarmos para nós mesmos, nos reinventar e usar toda a nossa capacidade de adaptação, que adquirimos no decorrer da viagem, para conseguir colocar as coisas no lugar (isso literalmente e metaforicamente).

Só agora, neste último final de semana, conseguimos nos desfazer das nossas últimas caixas e guardar todos nossos pertences em casa, em seus devidos lugares. Antes, estávamos meio acampados em nosso próprio ap.

E esse processo das caixas, que procrastinamos até onde deu, vejo agora, demonstrava a dificuldade que estávamos de colocar os nossos sentimentos nos locais corretos no coração – o que significa dizer: entender o que eles representavam e como lidar com eles.

Foi sofrido e acho que só conseguimos porque nos apoiamos um no outro, como fizemos em toda nossa viagem. Pois, por mais que amigos e família nos dessem todo o apoio do mundo, a verdade é que só nós dois sabíamos o que o outro estava sentindo.

Trabalho x Mexer nas caixas 

Quando chegamos ao Brasil, recebemos propostas bacanas de trabalho, algumas até melhores do que tínhamos antes de viajar, contrariando o receio que trazíamos por conta da crise e por ter ficado um ano num sabático. O fato de ter uma carreira construída e um bom networking contaram bastante. Vários amigos nos indicaram para vagas abertas e as oportunidades foram surgindo. Vimos aquilo como um sinal dos céus e agarramos aquelas chances com unhas e dentes. Então, nestes seis meses, nós mergulhamos de cabeça no trabalho.

O resultado concreto disso é que nos inserimos rapidamente no mercado, mas nos voltamos com tanto afinco que caímos numa espiral muito forte e puxada de trabalho. Com isso, o tempo para os nossos projetos pessoais acabaram indo para o ralo.

No pouco tempo de descanso que sobrava, estávamos cansados fisicamente e psicologicamente, tentando colocar em ordem o turbilhão de sentimentos por dentro, e com pilhas e pilhas de caixas do lado de fora nos aguardando para serem desfeitas.

Agora que as coisas começaram a ir para seu lugar (coisas e sentimentos), nós conseguimos começar a ler melhor o nosso mundo ao redor: a nova vida que estamos construindo nesta volta e começando a traçar os próximos planos.

Próximos passos

Uma coisa é certa: nós não vamos deixar de viajar. Ficar um ano viajando ininterruptamente não nos ajudou a nos livrar deste vício. Muito pelo contrário. Só piorou.

Já sabemos que o próximo passo agora é começar a equilibrar melhor a vida profissional e pessoal, para podermos aos poucos tocar os projetos pessoais. Robert já está dando o primeiro passo, diminuindo o número de aulas que dará no segundo semestre (mesmo porque a saúde dele estava indo para as cucuias). Para mim, a tarefa é tentar ser um pouco menos workaholic.

Sabemos que essa transição que estamos vivendo ainda não acabou. Mas aos poucos estamos colocando tudo em ordem. E, para nós, uma forma de fazer isso, é voltar a nos conectar com vocês, neste pedacinho do mundo virtual, em que ainda vivemos SEM CEP. Então, contem com a gente, que vamos continuar trocando ideias, projetos, dicas e experiências de viagem.

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Modificado e otimizado por Jean Kássio