A pior viagem de ônibus (até agora)

Por Themys Cabral

Foi pedrada. Nossa travessia da Tailândia para o Laos ganhou o troféu de a pior viagem de ônibus da minha vida. Até agora, lógico! Pois esta volta ao mundo deve reservar outras piores.

Nós não conseguimos ônibus direto de Chiang Rai, no norte da Tailândia, para Luang Prabang, no Laos.

A verdade é que ninguém sabia informar sobre a existência de um ônibus direto internacional e turístico entre as duas cidades. Não encontrei referências no google, nem na recepção do hostel e nem na rodoviária do centro. Na última hora, descobrimos que havia uma outra rodoviária mais afastada com uma companhia que fazia o trecho. Corremos para lá e descobrimos que o trajeto era feito todos os dias da semana, exceto naquele dia.

Não poderíamos nos dar o luxo de esperar mais um dia em Chiang Rai, pois já tínhamos estendido nossa jornada lá e o roteiro estava começando a ficar apertado. Por isso, decidimos ir naquele dia mesmo, do jeito que fosse. Sabia que chegando ao Laos, depois de cruzar a fronteira, poderia pegar um ônibus turístico até Luang Prabang. Pensei, tudo bem! São poucas horas de perrengue.

Então, pegamos um ônibus local, caindo aos pedaços, de Chiang Rai até Chiang Khong, uma cidade na fronteira da Tailândia com o Laos.

Chegando em Chiang Khong, depois de 3,5 horas de viagem, pegamos um tuk tuk (aquelas motos com carroceria para transporte de passageiros, comuns no sudeste asiático), que nos levou até a imigração.

Carimbamos o nosso passaporte com a saída da Tailândia e pegamos um shuttle que nos levou até a imigração do Laos. Carimbamos o nosso passaporte, depois de conseguir passar pelo mar de chineses, que estavam lá e não faziam fila. Então, pegamos um outro tuk tuk que nos deixou na rodoviária da cidade de Huay Xai. De lá, seriam mais 13 horas de ônibus (sleeper, turístico e confortável!) até a nossa cidade de destino no Laos: Luang Prabang,

A Themys esperando na fila para pegar o visto do Laos... Não! Péra! Que fila?!

A Themys esperando na fila para pegar o visto do Laos… Não! Péra! Que fila?!

Chegando na rodoviária, o ônibus turístico, VIP, com cama, estava lotado. As nossas opções eram: 1) ir 13 horas sentados no chão do ônibus, espremidos num corredor de meio metro de largura entre as camas (sério, ofereceram esta opção para nós!); 2) ir de barco numa viagem que levaria dois dias, mas que estava disponível só no dia seguinte; 3) dormir naquela cidade no meio do nada e ir de ônibus turístico no dia seguinte.

A opção três parecia a menos pior, mas prejudicaria o nosso roteiro. Já tínhamos reservado acomodação em Luang Prabang e em Viang Veng, próxima cidade do Laos, e também já tínhamos comprado passagem para o Vietnã para o dia 20 de fevereiro. Atrasar mais um dia ia comprometer demais.

Fiz cara de gatos de botas para a moça do guichê e perguntei se não havia nenhum outro jeito mesmo, como uma van, ou pegar um ônibus em outra cidade próxima dali. Aí ela lembrou que dali a 30 minutos sairia um ônibus para Luang Prabang. Ótimo! Nossa chance, pensei! Aí ela falou: “O ônibus sai do terminal antigo da cidade… é um ônibus local”.

Aqui o motora faz a "mágica" de andar 500 km em 12 horas.

Aqui o motora faz a “mágica” de andar 500 km em 13 horas.

O companheiro de viagem.

O companheiro de viagem.

Bem, quando você ouve “ônibus local”, já sabe que não dá para esperar muito. Ainda bem que as minhas expectativas eram baixas: parecia o ônibus do terror. Janelas quebradas, um buraco enorme no teto, pneus carecas, sujeira, poltronas estreitas e que pouco reclinavam e um mar de coisas lá dentro: motor de barco, duas motocicletas (sério, isso!). Para completar, a estrada era cheia de curvas e o asfalto pífio.

A noite foi longa. Rezei para que Deus nos protegesse, pois fiquei com muito medo. A única coisa bonita era o céu estrelado, que dava para ver pelo buraco do teto no ônibus.

O ônibus tinha um "teto solar".

O ônibus tinha um “teto solar”.

Só o google maps que achou que a viagem duraria 8 horas.

Só o google maps achou que a viagem duraria 8 horas.

Chegamos sãos e salvos à Luang Prabang às 3:30 da manhã, querendo banho e cama, depois de um deslocamento total de 16 horas. Nosso anjo da guarda anda trabalhando dobrado, coitado!

Chegamos à guest house, que parecia ajeitadinha (deu um trabalhão achar uma boa e barata!). O chuveiro parecia quente e com pressão. Tudo que precisávamos. Tudo lindo! Por 5 minutos. Depois disso, a água do banheiro parou de escoar pelo ralo e o banheiro começou a inundar. O banho teve que ser a jato. Ô dia que não termina!

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Modificado e otimizado por Jean Kássio