perrengue

Despertador chinês

Por Robert Nespolo

Já pensou ser acordado por uma cachoeira dentro do seu quarto no meio da noite, no outro lado do mundo, com uma temperatura ambiente em torno dos 10°C negativos? Pois é, parceiro! Isso aconteceu comigo! Ou melhor, comigo e com minha esposa. Senta, que lá vem perrengue!

Havíamos acabado de chegar em Beijing, depois de 5 horas de trem, doidos por uma cama e uma boa noite de sono. Afinal, tínhamos em mente visitar a famosa Muralha da China, na manhã seguinte. Colocamos o celular para despertar às 7h and gonna sleep. Porém, nossos planos foram por água abaixo, literalmente.

Um pouco antes dos nossos celulares nos despertarem, começaram os primeiros pingos de água dentro do quarto, a pouco centímetros da minha cabeça. Acha que eu acordei com o barulho? Lógico que não!

Estava empenhado em dormir e descansar o máximo que pudesse (e nesse quesito sou muito bom, modéstia à parte). Fato é que, para o nosso bem, a Themys tem um sono leve! Assim que ouviu os primeiros pingos de água, ela me acordou e perguntou:

– Robert, você esta ouvindo esse barulho?

Meio que murmurando, respondi, já voltando a dormir em seguida:
– Aham.

A Themys ainda preocupada insiste em outras duas perguntas:
– Esse barulho de água por acaso é aqui dentro? Está chovendo dentro do quarto???

E com todo certeza do mundo respondo:
– Sim, é aqui dentro!

E volto a dormir de novo (é serio isso, gente!!). E foi aí que a Themys surtou:
– Robert! Nossas coisas! Vai molhar tudo! Faz alguma coisa! – Todas essas exclamações não necessariamente nessa ordem.

Meio acordado, meio dormindo, começo minha odisseia de tentar tirar tudo que estava no chão: mochilas com todas as nossas roupas, tênis e meu computador (sim, ele estava ao lado da cama no chão, bem perto de onde estava saindo água).

O que está ruim, pode piorar! Antes mesmo que eu pudesse chamar alguém da recepção, a água amarelada, que antes escorria apenas por um cantinho no teto, começou a escorrer também por um foco de luz que ficava bem acima da minha cabeça, na nossa cama. E dessa vez de forma ainda mais intensa. Dá pra imaginar a cena?

A Themys de um lado paralisada em meio a água que escorria pelo piso, eu do outro lado tirando as mochilas, as roupas que estavam em cima das mochilas, os tênis, os dois computadores e, também, a Thê.

Resultado final: Thê, computadores, mochilas e tênis sãos e salvos. Algumas roupas molhadas e muita história para contar. Agora é só torcer para não ter pegado leptospirose.

Conseguiu imaginar? Não?! Então veja o vídeo do perrengue aqui.

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Modificado e otimizado por Jean Kássio