Ngorongoro

Dia 175 – Safári: do Serengueti ao Ngorongoro

Por Themys Cabral

Estávamos no Serengueti, quase na fronteira com o Quênia. No terceiro dia de safári, a nossa missão era começar o caminho de volta à Arusha, passando pela cratera do vulcão extinto Ngorongoro, com um ecossistema único. O nosso objetivo era ver dois dos big 5 que ainda faltavam para nós: búfalo e rinoceronte.

Depois do café da manhã, nos colocamos na estrada novamente. No caminho, elefantes, zebras, mais leões, leopardos e… búfalos! Viva! 

No fim da tarde, chegamos ao acampamento que ficaríamos a última noite de safári, no alto do Ngorongoro. Pense num lugar com vento e frio!

Jantamos e, ao final do jantar, do refeitório, vimos vários búfalos rondando as barracas.

Novamente, estávamos num acampamento todo aberto, sem qualquer tipo de proteção e cerca (como se isso resolvesse alguma coisa, claro). Imagine o meu pavor. O guia falou que nada nunca tinha acontecido e que os bichos não atacavam. Bom, eu respondi: “se não aconteceu, ainda vai acontecer”. Uma hora isso ainda vai dar merda! Eu adorei o safári, mas achei meio arriscado a forma como os turistas ficam acampados no meio da selva.

Quando os búfalos se afastaram um pouco, corremos para a barraca. Eu estava morrendo de medo, mas estava com tanto sono e tão cansada, que capotei, mesmo com o barulho dos búfalos ao redor. Bem, o Robert, não preciso nem comentar, né? Capotou bem antes de mim.

No meio da noite, o inevitável aconteceu! Acordamos com a barraca em cima de nós. Com o vento, ela foi completamente ao chão. O guia e o cozinheiro, que montaram a nossa barraca, ficaram com preguiça de colocar a capa externa e prender as estacas. E nós não tínhamos visto isso porque saímos do refeitório já de noite direto para dentro da barraca.

Bom, o fato é que era madrugada e estávamos com a barraca desmoronada em cima de nós. E o pior: para arrumar precisaria sair do lado de fora. Só que do lado de fora os búfalos estavam pastando felizes e alegres por entre as barracas. Nós é que não iríamos atrapalhar esse momento deles, não é mesmo? O búfalo é considerado o mais perigoso dos Big Five pelos relatos de ataques e mortes… 

Resolvemos dar aquele jeitinho brasileiro, escorando os quatro cantos da barraca por dentro mesmo, com o que tínhamos na mão: nossas mochilas! Não ficou aquela Brastemp, mas segurou a barraca até o dia seguinte, quando amanheceu. E eu até que consegui pregar o olho um pouco, sobrevivendo aos búfalos e às hienas do dia anterior. Viva!

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