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Dia 172 – Arusha

Por Themys Cabral

Missão do dia: achar o melhor custo-benefício de safári. Nós poderíamos ter fechado antes pela internet, mas achamos melhor deixar para fechar pessoalmente para ter maior poder de barganha no preço, uma vez que safári não é nada barato.

Além de fechar o safári para começar no dia seguinte, nós também precisávamos recarregar a internet no sim card que compramos em Zanzibar, assim como garantir mais um repelente eficiente (lembra que eu sou a louca do repelente e Arusha é endêmica de malária, né?)

Quando colocamos o pé para fora do hotel, vimos que não ia ser nada fácil. Arusha não é uma cidade bonita e nem acolhedora. Além disso, o feeling de insegurança foi acionado rapidinho.

Nós não sabemos explicar muito bem como funciona de modo concreto isso, mas temos uma teoria que nós, brasileiros, temos um feeling muito aguçado para perceber quando um lugar inspira mais cuidado do que outro, mesmo sem conhecer, sem nunca ter estado lá. Esse feeling pode ter se desenvolvido pelo fato de vivermos num país com nível de insegurança altíssimo, mas isso é outra história.

O fato é que com o cuidado redobrado nos colocamos na rua. Compramos um repelente, numa loja que achamos perto do hotel, mas eu ainda não estava satisfeita porque tinha que ser 15% DEET, segundo recomendação médica (nós levamos um do Brasil assim, mas acabamos usando durante a viagem).

De toda a forma, começamos a saga pelo chip, mas não encontrávamos lojas que vendessem crédito para o chip da companhia que tínhamos comprado  o sim card em Zanzibar. Depois de rodar bastante, percebemos que não teria jeito e teríamos que comprar um novo chip da Vodafone.  Mas cada lugar que entrávamos era um preço bem diferente do outro, mesmo sendo todos da mesma companhia.

Numa das lojas, com placa da Vodafone, entramos e perguntamos o valor, o rapaz pediu para nós o acompanharmos. Ele saiu  da loja dele e nos levou a um ambulante na rua. Quando comecei a questionar o valor para o ambulante, esse cara me deu o maior sabão, dizendo que eu só poderia perguntar os preços para ele. Indignada, perguntei “por quê?”. Ele respondeu: “porque fui eu que te trouxe aqui!”. Não pensamos duas vezes, demos meia volta e deixamos o cara falando sozinho. Os muzungos aqui não iam pagar comissão dessa vez não, amigo!

Fomos em outra banquinha que nos deu um preço que parecia mais justo. Perguntamos se tinha microchip e o cara  respondeu que sim. Mas não foi fácil. Depois de uns 40 minutos, o cara conseguiu fazer o celular do Robert funcionar. Demos 10 mil xilings (a menor nota que tínhamos) e ficamos esperando os nossos 4 mil xilings de troco. Nada do troco. Quando perguntamos do troco, o cara disse que ia custar 10 mil xilings!!! Imagina se eu não fiquei muito puta da vida.

A discussão ficou séria, falei que aquilo que ele estava fazendo não era certo, que eu queria o meu dinheiro, que nós tínhamos combinado. Com isso começou a juntar gente em volta e, com certeza, os muzungos aqui iam levar a pior. O Robert já começou a se atentar para o perigo da situação, mas eu não queria nem saber. Só queria saber de discutir e receber o meu troco de volta. Os 4 mil xilings não eram nenhuma fortuna, mas era uma questão de dignidade. Odeio ser feita de trouxa.

O argumento do rapaz era que ele teve que cortar o chip e transformar em microchip! Depois de muita discussão o cara aceitou devolver 2 mil xilings. Eu achei falta de dignidade total aceitar aquilo. Como o Robert já estava me alertando para o perigo da situação, eu falei que eu não queria os 2 mil xilings, que ele poderia ficar com o troco, mas que aquele era um “dinheiro ruim, que ele não ganhou honestamente, e que Alá estava vendo”. E fomos embora.

No meio da caminho, encontramos uma policial e eu contei todo o ocorrido. Ela se prontificou a voltar lá conosco, mas o Robert achou melhor deixar quieto a história. Eu estava doida para voltar lá, mas acabei deixando quieto a pedido do Robert. Fomos atrás do que era mais importante para nós: fechar o nosso safári.

Eu tinha pesquisado na noite anterior sobre a empresa que o taxista de Dar Es Salaam tinha nos sugerido e não era ruim não. Não era uma das top do ranking, mas as avaliações eram boas e o preço oferecido estava ótimo. Fomos lá conhecer eles pessoalmente e gostei do atendimento. Sem contar, que eles ofereceram mais um desconto. Só não fechamos na hora porque queríamos ver o esquema da outra agência que nossos amigos do ônibus tinham fechado.

Encontramos eles num restaurante de Arusha. Logo em seguida, o cara da agência apareceu por lá, mas nós não gostamos tanto do atendimento, do preço e do roteiro. Acabamos optando pela Meru Treks mesmo.

Voltamos para a Meru Treks para fechar com eles. Ia custar 580 dólares cada um, o safári de 4 dias e três noites, com acomodação em barraca e refeições incluídas. Estava tranquila em pagar isso no cartão. Mas o rapaz da agência disse que precisava receber em dinheiro, porque pagando em cartão, eles só receberiam na segunda-feira (era uma sexta-feira, final da tarde já). Ali comecei a ficar um pouco com o pé atrás, pois vi que era uma agência que não tinha cacife de fazer a viagem com seu capital de giro, mas tudo bem.

O pior é que eu estava apavorada de sacar essa quantia de dinheiro e andar pelas ruas de Arusha. Eles nos acompanharam de carro até um caixa eletrônico para fazermos o saque. Para eles, aquilo parecia algo mais normal do mundo, mas nós estávamos achando super estranho fazer negócio daquele jeito. Eles ficaram no carro enquanto fazíamos o saque, que teve de ser dividido em 5, pois os caixas da Tanzânia têm limite de quantia por saque. Além disso, tivemos que ir em dois caixas automáticos diferentes na cidade. E depois rolou o limite do nosso banco, que só permitia sacar no máximo mil dólares por dia. Ainda bem que tínhamos já em dinheiro a diferença.

Bom, foi super estranho, mas deu tudo certo. Entregamos todo o dinheiro e claro que rolou o medo de levar o maior calote no dia seguinte.

 

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