Como montar um roteiro de 8 dias para o Japão

Por Themys Cabral

Nem sempre a gente tem todo o tempo que gostaria para conhecer a fundo um país. Mas, mesmo com 8 dias, é possível fazer um roteiro interessante e conhecer as cidades mais importantes, do ponto de vista turístico, no Japão.

Se esse é o seu caso, sugiro você dividir a sua viagem no Japão em duas partes:

  • Tóquio: Reserve 3 dias para conhecer a cidade.
  • Osaka: Reserve 5 dias. Osaka é um bom lugar (geograficamente falando) para você montar uma base para day trips no Japão. A partir de Osaka é fácil visitar várias cidades, sem necessidade de você ficar fazendo milhões de check ins e check outs em hotéis. Com certeza, vai otimizar o seu tempo.

A partir de Osaka visite com day trips: Kobe, Kyoto, Nara. Além disso, de lá dá para ir até Hiroshima  (é um pouco mais longe, mas possível). Fizemos de carro e foram 4 horas para ir 4 para voltar. De trem é mais rápido. Outra opção é você pernoitar em Hiroshima, para ficar mais confortável.

Quer mais um motivo para montar base em Osaka? A cidade é conhecida por ter uma ótima culinária.


Bem, estrutura do roteiro desenhada! Mas o que têm afinal para conhecer em cada uma dessas cidades? Se liga nessas dicas, baseadas em tudo que a gente mais gostou de fazer e conhecer na terra dos samurais.

TÓQUIO

Dia 1
Comece desbravar a cidade a partir da Estação de Metrô Shibuya. O fervilhante bairro Shibuya guarda, já em uma das saídas da estação, o maior cruzamento de pedestres do planeta!!! É ali também que está a estátua do Hachiko, um cão que costumava encontrar o seu dono todos os dias naquele ponto. Mesmo após a morte do seu dono, Hachiko manteve o hábito por 11 anos, de acordo com a lenda. A história virou filme japonês e também hollywoodano, com Richard Gere estrelando (no Brasil, o filme foi traduzido por “Sempre ao Seu Lado”).

Famosa estátua do cachorro Hachiko.

Famosa estátua do cachorro Hachiko.

Em seguida, perto dali, uma boa pedida é visitar Harajuku, área ao redor da Estação Harajuku, entre Shibuya e Shinjuku, na Linha Yamanote. A área é conhecida por ser referência na cultura adolescente. Sua chance de cruzar com japinhas com looks descolados, divertidos e bem diferentões é alta por lá.

Próximo dali, fica o santuário xintoísta Meiji Jingu, um verdadeiro oásis no meio de Tóquio, no bairro Shibuya. O santuário está no meio de um parque, o que faz a visita ser bem tranquila e sossegada. A visita ao templo é aberta e grátis.

 

Um dos portais de entrada do Meiji.

Um dos portais de entrada do Meiji.

E, se você, assim como nós, gosta de economizar cada centavo e fica de cara com os preços exorbitantes para subir em torres com vistas da cidade, uma dica de ouro é subir no Prédio do Governo Metropolitano, também conhecido como Tokyo City Hall, em Shinjuku, sem pagar um centavo. Tá certo que não é tão alto como a Tokyo SkyTree, mas já dá uma boa vista da cidade e do Monte Fuji, se o dia estiver limpo. Nós testamos e aprovamos (dica da queridíssima Ana Cláudia Bittar!)

 

A partir do Prédio do Governo é possível ver o sol se pondo atrás do Monte Fuji.

A partir do Prédio do Governo é possível ver o sol se pondo atrás do Monte Fuji.

Dia 2

Asakusa é um dos bairro mais tradicionais da cidade. É legal bater um pouquinho de perna por ali, principalmente nas imediações do chamado templo de Asakusa, o  Sensoji, que é o maior templo budista de Tóquio. Vale a visita. Lá você pode tirar a sua sorte (algo que dá para fazer em uma infinidade de outros templos no Japão também!!!). Se for boa, pode escolher levar para casa ou amarrar por lá. Se tirar má sorte a indicação é não sair de lá sem amarrar o papelzinho.

O belíssimo templo de Asakusa.

O belíssimo templo de Asakusa.

De Asakusa, você poder ir para Sumida. Se você curte subir em arranha-céus não deixe passar a Tokyo Skytree. Com seus 634 metros de altura, a torre é a segunda maior estrutura do planeta depois do Burj Khalifa, de Dubai. Se você tem intenção de subir, vale comprar o ticket pela internet.  Nós não fomos, porque não somos tão vidrados em subir em prédio, gostamos mais de apreciar a arquitetura do lado de fora mesmo (a verdade é que somos mãos de vacas mesmo) 

Para terminar o dia, vale ir de metrô (sente na frente para uma visão privilegiada) pegar o entardecer em Tokyo Bay . O skyline de Tóquio à noite é lindo e este é o melhor ponto para observar. Na volta, dá para pegar um barquinho (dica quentíssima da Aline Bittar Kunzel).

A baía de Tóquio foi uma grata surpresa.

A baía de Tóquio foi uma grata surpresa.

Dia 3

O  Mercado de Peixes foi simplesmente o passeio que nós mais gostamos de fazer em Tóquio. Super limpinho e organizado, mas com um montão de coisas estranhas e diferentes pra gente xeretar. Uma boa dica é cair da cama de madrugada para tentar pegar o mundialmente famoso  leilão de atum.

O leilão do Atum.

O leilão do Atum.

Outro ponto que merece uma visitinha é o Palácio Imperial, residência oficial do imperador. Está localizado no distrito de Chyoda, no centro de Tóquio. A maior parte do palácio não é aberto ao público (o que é bastante decepcionante!). Para uma visita interna, é preciso entrar em contato com a Agência da Casa Imperial. Mas a parte mais interior do complexo só fica aberta ao público mesmo apenas duas vezes por ano, no aniversário do imperador Akihito (23 de dezembro) e no Ano Novo (2 de janeiro).

Por outro lado, os Jardins do Palácio estão habitualmente acessíveis aos turistas, com as chamadas árvores em miniaturas. Tá, as árvores não são tão miniaturas assim (miniatura para mim é bonsai). Mas, mesmo assim, as árvores, que não são bonsais, mas são cultivadas com técnicas semelhantes, são bem bonitas, com uma estética toda trabalhada.  Foi, inclusive, a parte que mais gostei ao visitar o Palácio.

Os jardins do Palácio Imperial são, mesmo no inverno, muito bonitos.

Os jardins do Palácio Imperial são, mesmo no inverno, muito bonitos.

OSAKA

Dia 4

O mais famoso castelo do Japão.

O mais famoso castelo do Japão.

Definitivamente, as melhores atrações turísticas em Osaka são o Castelo de Osaka e o Templo de Osaka. O Castelo de Osaka é simplesmente o castelo mais famoso do Japão (e olha que o que não falta no país são castelos!!!). Ele foi reconstruído inúmeras vezes e desempenhou papel importante na unificação do país. Nós o elegemos o castelo japonês mais bonito que vimos durante toda a viagem. O Shitenno-ji é o templo budista mais antigo do Japão (embora ele tenha sido reconstruído e as edificações atuais sejam mais recentes).

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KOBE

Dia 5
Não deixe de ir no Grand Arima Hotel para ter uma experiência bem típica: os banhos japoneses. Está aí um passeio imperdível! Homens para um lado e mulheres para o outro. Se prepare para um banho delicioso nas piscinas termais. Todo mundo fica nu e, no começo, os japoneses estranham a presença dos estrangeiros. Mas depois de alguns minutos, acostumam (e vc também acostuma!).

Gastamos cerca de 4 mil ienes cada um, o equivalente a 40 dólares. Foi o passeio mais caro que fizemos no Japão, mas valeu cada centavo. Parte dos 4 mil ienes da entrada pode ser convertido num jantar no mesmo hotel ou em serviços de massagem. Nós usamos o nosso crédito num jantar, já que dava para aproveitar umas cadeiras de massagem free.

Depois do Arima, curtimos um pouco da bonita orla iluminada de Kobe. Você pode aproveitar para comer o Kobe Beef por lá também. Mas, lembre-se, você não necessariamente precisas comer o Kobe Beef em Kobe. O Japão é pequeno e esta iguaria está presente em várias cidades. Nós comemos em Osaka mesmo e estava uma delícia.

Momento meninas para um lado e meninos para o outro.

Momento meninas para um lado e meninos para o outro.

KYOTO

Dia 6
Ah, Kyoto! Linda cidade! Caia da cama bem cedo no dia de visitar Kyoto, pois tem bastante coisa para ver. A cidade tem vários templos, mas tem três que são imperdíveis (na nossa modesta opinião).

O primeiro deles é o Kiyomizu-dera, construído em 790 d.C. O Templo Kiyomizu, que significa Templo da Água Pura, tem uma fonte de água sagrada. Os peregrinos bebem a água, e também lavam as mãos, os braços e o rosto.O templo, rodeado por pagodas, é feito com madeira e fica em meio a uma floresta, de onde se avista toda a cidade.

Esperando o momento para pegar a água sagrada.

Esperando o momento para pegar a água sagrada.

O segundo é o Kinkaku-ji: um dos templos zen-budistas mais conhecidos no Japão. Também chamado de Templo do Ouro, Templo Dourado ou Pavilhão Dourado, tem três andares, sendo os dois últimos folheados a ouro. É considerado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Não é permitido entrar no templo, mas o passeio ao redor dele já é de impressionar. Na saída, dá para tomar o chá que é servido com toda a etiqueta japonesa.

Impossível não se impressionar com o Templo do Ouro.

Impossível não se impressionar com o Templo do Ouro.

O Fushimi Inari, que fica situado em uma montanha, é um santuário xintoísta dedicado a Inari, deus do arroz, da fertilidade, da agricultura, das raposas, sucesso e prosperidade nos negócios. Foi este o templo que mais gostamos de Kyoto e onde gastamos mais tempo, já que fizemos boa parte das trilhas pela montanha. O espaço abriga diversas capelas e templos. Cercado por verde, conta com centenas de toriis (aquele portal estilo japonês) vermelhos ao longo do caminho até o topo, com tempo estimado de 2 horas para todo o percurso. Nós não fomos até o fim, pois senão não teríamos tempo de conhecer os outros templos na cidade, mas ficamos morrendo de vontade.

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A caminhada é sempre acompanhada pelos portais típicos japoneses.

A caminhada é sempre acompanhada pelos portais típicos japoneses.

No fim da tarde, corra para Gyon e se perca pelas ruelas típicas de um Japão de outrora. Mas fique atento, é no fim do dia que as gueixas saem de casa para irem atender os clientes. Você pode dar a sorte de cruzar com elas. No dia em que fomos estava chovendinho e ficamos de espreita nos táxis que passavam. Conseguimos ver três gueixas e duas maikos (aprendizes de gueixas). Caso contrário, você terá que desembolsar uma grana alta para ser atendido por uma de verdade: algo na casa de mil dólares. Cuidado com as imitações (há muitas!). Há em Gyon um teatro com apresentação típica, à noite. Não chegamos a ver, pois estávamos bem cansados.

Observação: Kyoto tem um montão de templos e é um charme. Se você tem mais dias para dedicar ao Japão, talvez seja um boa ficar um dia a mais em Kyoto.

NARA

Dia 7
Estando no Japão, é possível que você fique enjoado de tanto ver templos. Mas em Nara tem um que vale a pena: é o Todaiji, o templo o Buda sentado. É um dos templos budistas mais famosos do país e abriga a maior estátua de Buda do Japão. O colossal Buda tem quase 15 metros de altura.

Observação: se você tiver com poucos dias disponíveis, é possível combinar Nara e Kyoto no mesmo dia. Fica pesado, já que Kyoto tem muita coisa para ver. Mas é uma opção.

O imponente templo de Todaiji

O imponente templo de Todaiji

 

HIROSHIMA

Dia 8
Dia pesado e de reflexão. Comece pelo Atomic Bomb Dome, com os resquícios de um dos únicos prédios que restaram após a bomba de Hiroshima. Próximo dali, há um hospital que marca o epicentro da bomba. O local passa despercebido para a maior parte dos turistas, pois apresenta uma sinalização bem modesta com uma pequena placa.

Esse hospital marca o epicentro da bomba de Hiroshima.

Esse hospital marca o epicentro da bomba de Hiroshima.

De volta à praça, veja o Memorial da Paz e o Memorial das Crianças. Termine a sua visita no outro lado da praça, no Museu de Hiroshima, que reconta todo o horror da bomba atômica despejada na cidade em 6 de agosto de 1945. Reserve pelo menos 1,5 hora para o museu, se você quiser fazer com calma. Não deixe de locar o áudio guia em português disponível. Faz toda a diferença. Além do Museu, na própria praça é possível, algumas vezes, cruzar com descendentes de sobreviventes da bomba, que voluntariamente constam a história de sua família. Uma senhora compartilhou a história de sua família conosco e foi incrível! Impossível não se emocionar. Deixou todos nós aos prantos.

Atomic Bomb Dome.

Atomic Bomb Dome.

Memorial da Paz.

Memorial da Paz.

O memorial das crianças.

O memorial das crianças.

Além dessas cidades que eu mencionei, o Japão oferece ainda infinitas outras opções. Hokaydo, Okynawa, Himeji são alguns exemplos Agora, se você tem menos de 10 dias para conhecer o Japão, como nós, vai por esse roteiro que você não vai se decepcionar!

Quer ler outras dicas sobre o Japão? Neste post aqui, contamos tudo que você precisa saber para programar sua viagem para lá, com informações sobre como se locomover, como viajar, o que comer e como se conectar.

Curtiu as dicas? Tem outras diferentes? Conta pra gente aqui!

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Modificado e otimizado por Jean Kássio