A hospedagem em casa de cubano e como isso afetou a nossa maneira de viajar

Por Themys Cabral

Para estrear o primeiro texto do nosso blog, eu queria compartilhar com vocês uma experiência que nós tivemos e que mudou muito a nossa maneira de viajar: a hospedagem em casa de cubano.

Como todo jornalista, eu sempre fui uma pessoa curiosa. Sempre busquei descobrir o lado mais próximo possível da realidade. Mas, ao mesmo tempo, sempre me considerei uma pessoa para lá de fresca.

Quando eu e Robert casamos, em 2008, nossa primeira viagem para fora do país foi em lua de mel para Cancun, no México. Fomos de pacotão mesmo!

Afinal, só sabíamos viajar assim. Jamais passaria pela nossa cabeça de nos arriscarmos sozinhos num país estrangeiro. Lá em Cancun até tentamos dar uma fugida do roteiro comum indo de ônibus ao lado “real” da cidade: a parte continental, fora da zona turística hoteleira.

Mas isso era muito pouco. Embora tenhamos amado o destino, nós ainda nos sentíamos dentro de uma bolha.
Na nossa segunda viagem para fora juntos, fomos para Cuba, em 2011. Mais uma vez de pacotão! Mas dessa vez resolvemos tentar algo diferente. Eu tinha lido a respeito de pessoas que se hospedavam em casa de cubano e achava essa ideia fantástica. Mas confesso que morria de medo de ficar na casa de alguém que eu não conhecia. Achava meio invasivo… E se eu não gostar do anfitrião? E se for sujo? E se eu não me sentir a vontade? E se…? E se…? A lista de medos era interminável.

O Robert fez, então, uma proposta: pedir para agência de viagens deixar apenas uma noite de hospedagem em aberto. Naquela altura, isso, para mim, uma viajante de pacote compulsiva, era uma tremenda de uma ousadia. Mas resolvi arriscar. Afinal, se fosse ruim, era só uma noite para aguentar, não é mesmo?

Uma amiga, a Mariana Franco Ramos, tinha ido recentemente à Cuba e se hospedado em casa de cubano. Ela, então, me indicou o anfitrião dela e lá fomos nós. Fizemos contato por e-mail e deixamos tudo acertado. Confesso que estava bastante receosa. Mas, ao chegar lá, seu Alfredo nos ofereceu seu rum mais especial e sua esposa nos preparou um jantar delicioso.
Passamos a noite inteira conversando com aquele cubano, que nos contou toda sua vida e como era viver na ilha de Fidel: os perrengues, as belezas, o sistema econômico, como fora sua educação, como era a saúde pública.

Contou sobre seu sonho de conhecer outros lugares fora da ilha e como “viajava” a partir de programas de televisão. A única maneira para ele viajar. Aquela única noite que passamos na casa do seu Alfredo mexeu conosco!
Naquela noite, longe de uma cama king size, dos hotéis confortáveis cinco estrelas, ou de toda a bolha turística que nos cercava, sentimos realmente o que era estar em Cuba.

Seu Alfredo e esposa: nossos anfitriões em Havana, Cuba.

E como aquela sensação foi indescritível e inesquecível. E viciante. A verdade é que naquele momento havíamos sido picados pelo bichinho do viajante independente.

Leia outros textos relacionados
Booking.com
Modificado e otimizado por Jean Kássio